30/11/16

ai a dor

Dói. Dói ver os vencedores da vida, quis-lhes o acaso, a fortuna ou a roubalheira, a condenarem as "benesses" aos pobres, os subsídios para quem pouco ou nada tem, a Saúde que sai tão cara, ai!, a Educação feita pérola que se atira aos porcos e aos burros, ui virgem Maria! Ai que o Estado gasta tanto com quem não deve, e então os bancos?, e para os bancos não há nada?, nada, nada, nada? Dói. Dói demais. Mais do que o lumbago, os panarícios, os bicos-de-papagaio, a dor de cotovelo ou a de corno. Gente não é certamente, que gente que é gente não sente assim. Fui ver. Era porcaria, trumpistas, penianos, nigelianos, passistas, cristas mas não cristãos. Porque Cristo não agia assim. Para ele, os vencedores da vida nem camelos eram, o buraco da agulha não lhes servia. Dói. Dói que eu sei cá, eu que de pouco sei mas sei isto. A trampa. O Trump. O estado aparentemente terminal a que o mundo chegou. Mas a História não acaba aqui. Há mais marés do que marinheiros. Mais vencidos do que vencedores. A vingança servir-se-á fria, mas suculenta e abundante. Oiçam. Escrevam o que vos digo. E não digo por dizer.


21/11/16

do trumpolineiro e dos defecadores de prosa


Os indefectíveis defecadores de prosa em louvor do neoliberalismo, reverentíssimos apóstolos de Cristas e do senhor dos Passos, lá bem no fundo, no segredo dos seus deuses menores, com o pudor que lhes inspira a hipocrisia, exultaram com a eleição do Trumpolineiro. Nem às paredes o confessam, não vá os ventos mudaram e os salaristas não voltarem em dia de nevoeiro. Publicamente, publicam virtudes, admoestações, preocupações, condenações. Vituperam - para consumo do leitor, ouvinte, telespectador papalvo -, o caceteiro, o regateiro, o arruaceiro, o trapaceiro com estaminé de ouro e mármore montado na Quinta Avenida. E acusam a esquerda pela sua vitória. O declínio da esquerda dá força à extrema-direita, clamam e proclamam, como se a direita - de que Hillary faz parte - não tivesse sido derrotada em prol da sua ala mais radical.

Há enfraquecimento das forças de esquerda? Também. Se considerarmos esquerda aquela social-democracia bem comportadinha, muito responsavelzinha, assaz tolerantezinha, fofinha até mais não poder ser, a das abstenções violentas de Seguro, das cobardias de Hollande, das fraquezas e cedências dos que, batendo a mão no peito e proclamando a sua titubeante vocação esquerdina, deram trunfos e triunfos às forças neoliberais, auxiliando-as no assalto aos povos para compensar as perdas daquela gente sem nome instalada nas torres de luxo de Manhattan ou Canary Wharf, coadjuvando-as servilmente na imposição da austeridade, na promoção da injustiça social, das desigualdades, da destruição da Saúde e Educação públicas, das privatizações a pataco, das malfeitorias a que, em Portugal, assistimos em directo, ao vivo mas nunca a cores.

Felizmente, porque a conjuntura a isso o obrigou ou porque se recusou a atraiçoar militantes e eleitores, Costa fez o PS arrepiar caminho, negociou à esquerda, governa com boas ou más medidas, a cada um a sua sentença, mas sempre, sempre à revelia de Merkel e dos seus sequazes bruxelenses. Não é coisa pouca. Que sirva de exemplo aos outros partidos ditos socialistas por essa Europa fora. O Pasok já se acabou. O PSOE está-se a acabar.  Só uma política patriótica e de esquerda, parafraseando os seus arqui-inimigos agora e em boa hora aliados, os poderá salvar.

Vêm aí tempos terríveis. Agradeçamos ao Trumpolineiro mas, sobretudo, a quem nele votou e o saúda com entusiasmo e às palminhas. A História julgar-vos-á.

18/11/16

outra vez arroja

Diz-se por aí, entre os trumpistas tugas, que devia ser Pedro Arroja a concorrer a primeiro-ministro. Tal como Trump, também ele cospe alarvidades. Tal como Trump, tem ideias ultraconservadoras sobre o pobre mundo e os seus seres. Só não é milionário. Mas isso arranja-se. Ao que consta, nem Trujillo, nem Fulgencio, nem Pinochet, nem Somoza, nem Papa Doc nem o próprio Eduardo dos Santos e a sua Isabelinha eram ricos antes de subir ao poder. Eis o cenário perfeito para esta Europa de fraca memória: Farage no Reino (Des)Unido, Le Pen em França, "Adolfina" Petry na Alemanha, Wilders na Holanda, Hofer na Áustria, Szydlo na Polónia, Erdogan na Turquia, Orbán na Hungria, o eterno Putin na Rússia, Berlusconi de volta a Itália ou o regresso de Mussolini pela mão da netinha Alessandra, Michaloliakos na Grécia, Soini na Finlândia, um mundo de possibilidades, um mundo de sonho, um sonho desfeito. Até lá, torçamos por Arroja. Com arrojo. Com fúria. Com força. Porque dos fracos não reza a história.




06/11/16

a multiplicação dos cães

A direita extrema pula e avança, como bomba colorida entre as mãos de uma criança. O horror multiplica-se, rebenta nas nossas mãos, faz vítimas, semeia dor, pobreza, desemprego, fome. Nas Filipinas, na Turquia, na Ucrânia, no Brasil, na Hungria, na Polónia, na Áustria, a lista de países agora párias não pára de aumentar. Bonifrates, algozes, bufões, sacanas sem lei nem escrúpulos ganham terreno com recurso aos seus bulldozers, os da propaganda, do logro, da violência verbal, do cada vez mais vil metal. Le Pen qualquer dia em França, Trump a qualquer hora na América. Os povos votam, decidem, cavam a sua sepultura tontamente, uma mão na caneta e a outra a chafurdar na lama e na merda que os vai tragar. Trump, o palhaço Donald, é o representante mais gritante e mais grotesco dos cães raivosos que flagelam o mundo. Como é possível ter chegado onde chegou? Como é possível estar a um passo, cada vez mais pequeno, de se vir a tornar no pior presidente, mais estúpido do que o Bush filho, mais perigoso do que Reagan, mais mentiroso do que Nixon, que os Estados Unidos alguma vez tiveram? Há quem se ria da figura, da trunfa desconchavada, dos jeitos e trejeitos, das boquinhas e caretas, dos ditos malditos. Eu não. Já não. A gente sabe: nem encharcada em Chanel Hillary consegue ser flor que se cheire. Mas Trump ganha-lhe aos pontos, é a putrefacção em pessoa, a morte anunciada. E na fila, por esse mundo fora, muitos outros aguardam a vez. A hora é deles. A tragédia é nossa.










01/07/16

foi um ar que lhes deu



Este senhor tem uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma.

Eu explico.

Há muito que a terra dos pastorinhos que, segundo parece, viram uma virgem (coisa que, estou em crer, seria fácil de lobrigar naqueles tempos de castos costumes), há muito que é conhecida pelo seu comércio de hereges. Até no terreiro do santuário, vi com estes dois que o fogo há-de queimar, se pede aos fiéis que preitem os seus defuntos ou paguem as suas promessas sob a forma de esmolas e não da queimada de velas que, pelos vistos, não dão tanto lucro e muito menos mecha para o sebo.

Soube hoje que os vendilhões do templo, espertalhões, com olho para o negócio, descobriram uma nova forma de extorquir dinheiro aos incautos créus. Agora, vende-se ar enlatado. De Fátima, dizem eles. Abençoado, asseveram.

Sempre pensei que fosse Passos o primeiro a cobrar-nos o ar que respiramos. Enganei-me. Entrem na terra universal do reino do deus dinheiro e comprem ... nada. Em troca de 3 euros, uns míseros 600 escudos na moeda antiga.

Valha-nos Nossa Senhora porque qualquer dia, tal é a lata, enlatam o cocó dos presbíteros para vender a obstipados e outros peregrinos por terras de blasfémia e de pecado sem perdão ou remissão.

Que falta nos faz Jesus e o seu chicote!


18/06/16

de costas para deus


D. Manuel, o Clemente, e outras figuras gradas da Igreja apostólica e romana, vieram a terreiro para vociferar contra Brandão, Costa e, valha-nos o Senhor, os malvados comunas e demais esquerdalhada que inspiraram a decisão de acabar com a gosma de certas escolas privadas com dinheiros públicos.

Trata-se, damas e cavalheiros, da mais rematada demonstração de ingratidão.

Sabe-se agora que três colégios católicos, todos de Fátima, foram poupados à sanha deste governo de hereges, apoiado por anti-Cristos.

Trata-se de um milagre perpetrado, tal como os crimes, por um governo que não teve a coragem de levar a coerência até às últimas consequências, com receio, talvez, das línguas viperinas de cónegos, cardeais, generais ao serviço de Deus nesta guerra pela cristandade e os seus trinta dinheiros.

Cauteloso, temente a Deus talvez, Costa não quis que as sedes do PS, no Norte e no Centro, em Braga ou Rio Maior, tivessem o mesmo destino dos centros de trabalho do PCP e do MDP nos idos de 75: o fogo posto, a purificação nas chamas do Inferno. Ainda não é Verão. Muito menos está quente.

17/06/16

chora, mariquinhas, chora

Dos jornais:
Manuais escolares grátis podem deixar 2000 sem emprego, avisa a Porto Editora.


Depois dos colégios privados, faltavam cá estes! O empório Porto Editora construiu-se à conta dos manuais escolares e da bolsa de cada pai e cada mãe deste país. Foi, e ainda é, um negócio da China com contornos, se não obscuros, pelo menos altamente reprováveis. Manuais que mudam todos os anos, por vezes para alterar uma linha ou uma fotografia. Manuais especulativamente caros. Manuais que não podem ser partilhados entre irmãos porque, de um ano para o outro, ou o programa mudou, ou o manual mudou uma vírgula ou a escola mudou de ideias e prefere um manual diferente do canhenho do ano anterior para a mesmíssima matéria depois de receber um delegado de propaganda médica, pelo menos assim parece embora a saúde das nossas carteiras se ressinta após cada uma dessas visitas. 

E agora, depois de viverem décadas à tripa-forra, têm o arrojo, o desplante, a desfaçatez, a suprema lata, a falta de vergonha de virem carpir mágoas com a costumeira lengalenga da gente que vai ser atirada para o desemprego, à falta de argumento mais decente e verdadeiro como seja a perda de bojudos lucros. Vamos ter outra guerra declarada contra o primeiro governo, em muitos e muitos anos, que teve a coragem de enfrentar interesses que não são os da maioria dos portugueses mas de pequenos grupúsculos desde sempre habituados a viver à sombra do Estado, dos seus dinheiros ou do seu conluio. 

Os manuais escolares fazem parte de um Ensino que, diz a Constituição, deve ser tendencialmente gratuito. Que seja um negócio lucrativo, ainda vá que não vá. Que seja uma forma de financiar impérios editoriais, com todas as consequências nefastas que os monopólios acarretam, e a perda de rigor e de qualidade editorial não é certamente uma sequela menor, é, como diz o fado, ideia que não cabe cá nas minhas. Vão dar de beber à dor, é o melhor. Já lá dizia a Mariquinhas que, se não estou a conspurcar a memória da louvaminheira, também detinha negócio espúrio, montado com mulheres de vida fácil e proxenetas de vida airada.

A chulice, meus amigos, é vício que se pega como sarna ou piolheira púbica. Vai-te embora, peçonha!


14/06/16

a assunção da canalhice

Assunção assume: o governo é comandado pela maralha bloquista. Assunção presume: Costa é social-fascista. Assunção enraivece e não esmorece, faz voz grossa, engrossa o coro das carpideiras, ai ricos tenham maneiras qu'isto assim não vai lá, não dá mecha pró sebo, escola pró mancebo, pilim pró director, função pró professor, tudo culpa da geringonça, dos amigos da onça, do Costa que se quer em posta, do soviete supremo que dirige a Nação, do Cunhal e do Brandão, querem mais Venezuelas, agora é que vão ser elas, é a bancarrota, a banca marota, o colapso da economia, o investimento em banho-Maria, a fuga de capitais, capitães e generais, os empresários é que não são otários, vão prá rua se for preciso até que os comunas tenham siso, cada um com a sua moca, um ou outro de bomba, eles vão estar à coca, a agitação vai ser de arromba, alguém há-de levar na tromba, virão doutores, comendadores, suinicultores, agricultores, engraxados e engraxadores, mandados e mandadores, a Alameda vai encher, o governo perecer, Costa cair e a direita a rir, rir a bom rir, fora com o socialista, o bolchevique, o esquerdalho, venha de lá gente chique, vão pró mangalho qu'isto aqui é nosso, muito nosso como o Brasil ou Angola, estou aqui que nem posso, a ficar estarola, não regulo da tola, tragam-me o véu, o solidéu, a estola, por esmola levem-me pra Rilhafoles, atirem-me ovos moles, toquem-me gaita de foles, façam o mal e a escaramuça, enfiem-lhes a carapuça, um balázio de bacamarte, eu seja Cristo, Cristas, Santo Inácio, Bonaparte. 

Mandem-me àquela parte.


16/05/16

o apogeu da barbárie

É em Yulin, na China. Muitos milhares de cães, tantos deles roubados aos donos, são desancados até à morte, pendurados por ganchos e vendidos para serem comidos no Festival que a cidade promove anualmente.

As imagens chocam mas, se fossem brandas, não teriam o efeito desejado: a nossa indignação, a nossa reacção, embora saibamos que as autoridades chinesas, com quem mantemos negócios e alimentamos riquezas espúrias, são cegos, surdos e mudos a qualquer protesto.

Se quiser assinar contra esta barbárie, pode fazê-lo aqui:
https://secure.avaaz.org/en/stop_the_puppy_slaughter_loc/?cYmKJbb




















07/04/16

o arrojo de um troglodita

São conhecidas as posições de Pedro Arroja. Não as sexuais, dessas deve só conhecer a de missionário que, desconfio, pratica com a parcimónia de um presbítero a quem a mãe não soube fabricar um pénis, mas as políticas e as sociais. Arroja é arrojado nas suas teorias e, a prová-lo, vem agora afirmar que mulheres nas direcções partidárias são um sinal de degenerescência. Culpa tem quem dá tempo de antena a esta excrescência.




angola na fossa

Angola pediu ajuda ao FMI. As ajudas dessa notável instituição liderada pela madame Lagarde, la vache qui ri, já se sabe no que redundam: os grandes de Angola, se se pode chamar grande a gente assim, de terrível pequenez humana, continuarão a viver à tripa-forra. Os sacrifícios, sabêmo-lo por experiência própria, serão impostos ao cidadão comum. No caso angolano, a um povo há tanto mártir. Por outras palavras, juntam-se ladrões a bandidos e o resultado não pode, não vai ser bom. 

Dirão alguns que se trata de um assunto interno de uma nação independente. O capital não tem pátria, tem párias. A indignação não tem fronteiras nem peias. Não posso estar um dia com o povo de Angola e, no outro, com os seus dirigentes. Ou uns ou outros.



http://www.photocarobonink.nl/

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11/03/16

resenha da festança do homem que se quis bragança

Fotografia de Alfredo Cunha, https://www.facebook.com/alfredo.cunha.1291?fref=ts
Ei-lo! Vinha a pé pela calçada, guiado pela sua boa estrela. Facto inédito e nunca visto desde os tempos em que o senhor presidente Teófilo, coitadinho que Deus já lá o tem, se deslocava de eléctrico do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Os jornalistas, embevecidos, à beira de um orgasmo, entre eles o Paulo, olá Paulo!, esqueceram-se dos seus deveres, de estabelecerem ligação com a redacção para dar conta da inovação. Ão. Ão. Miau Fru Fru. O Baldaia baldou-se aos seus deveres, e o caso não foi para menos, mas recompensou-nos mais tarde com prosa de um lirismo e fervor tão tocantes que ficará para a História como um exemplo perfeito de preito entre amigos de peito, o presidente eleito e o jornalista rarefeito. A festa durou até às tantas, primeiro no Parlamento engalanado a rosas, que os cravos costumam cair, cheinho de discursos, abarrotadinho de aplausos, prenhe de beija-mão. Olha o rei de Espanha, o latagão! Olha o Xico Balsemão, o finório! Olha o Passos, o finado! Olha a fina-flor do entulho a encher o bandulho em comezaina à maneira. Olha os restos mortais do Luís Vaz e do Gama. Olha o presbítero ataviado a oiro e roxo que tudo inflama. E atentem bem na condecoração ao antecessor, um primor, de liberdade pois então, quem a tem chama-lhe sua e o medalhado sempre foi muito cioso das suas coisinhas, boas acções, herdades herdadas à sorte, sem sorteio. E o cocktail, que dizer do cocktail? Centenas de lustrados convidados, palmadinhas nas costas, parabéns para aqui, felicidades para acolá, o Baldaia baldou-se outra vez, estava a escrever o artigo, as ceroulas ainda húmidas, a voz ainda embargada, os olhos entaramelados, o pensamento nele, no homem que se quis Bragança, com tomada de posse a lembrar coroação, o furioso apogeu de uma carreira de professor, comentador, político, nadador, salvador da Pátria. Mais à noitinha, o arraial municipalizado, Mariza a fazer de Beyonce contra os canhões marchar, marchar. Podia ter sido melhor, ai pois podia, ide a ele as criancinhas que não chegaram para encher a praça, o frio pô-lo transido, Cid divertido, Ralph encolhido, Abrunhosa esmaecido, não tivemos direito a foguetes nem a fogo de artifício mas não perdemos com a demora que de artifícios e de fogos fátuos não nos livramos nem que Cristo desça à Terra, muito menos de simpatia a rodos, de afectos a ilustrados e analfabetos, esquerdistas e direitistas, elitistas e liberais, porque um homem que sucede ao cavaco empertigado, ao pau carunchoso, é isto: só pode botar boa figura. Sob o manto diáfano da fantasia. Com o ceptro e a coroa de uma república entontecida. Sempre, sempre à beira do orgasmo. De um ataque de nervos. De apagada e vil tristeza.
Teófilo Braga, fotografia de Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa


05/03/16

a austeridade acabou!


Assim mesmo: a austeridade deu de frosques,  deu à sola, finou-se. Isto a crer nos apóstolos dessa mesma austeridade, os deputados do PSD e do CDS, a maralha da direitalha que agora vem pedir tudo e mais alguma coisa: mais uma ponte, uma estrada, um hospital, mais serviços de saúde, mais ajudas à agricultura, mais apoio às empresas, e escolas, e universidades, e cheta para isto, e fundos para aquilo, e subsídios para aqueloutro, e o diabo a quatro. Os mesmos que acusam o Orçamento do Estado de ser expansionista e o governo de gastador e perdulário - e ai credo que lá vem a bancarrota! -, são os que vêm também dizer que o governo é fuinha, uns unhas-de-fome os senhores ministros, que o dinheiro é pouco, que é preciso gastar, gastar muito, gastar tudo. E também são os mesmos, os apóstolos da austeridade e arautos da desgraça, que vêm agora perguntar aos novos membros do governo porque ainda não se fez, em 3 meses, o que Passos, e a sua trupe de valdevinos com futuro garantido no áureo mundo da especulação financeira, não fizeram, não quiseram fazer em quatro anos e nunca fariam durante os próximos quatro se Costa e Catarina e Jerónimo não tivessem decidido enveredar por este ménage à trois de que dou graças todos os dias: o que é feito, perguntam com as vozes inflamadas de indignação, o que é feito das novas construções, dos novos empregos, dos aumentos de salários e das descidas de impostos, dos bodos de uma boda em que querem ser padrinhos à espanhola, copular com a noiva e culpar o noivo do crime de violação. Durante quatro anos, nada criaram nem procriaram. Agora, querem as crianças já crescidas, eles que nunca tiveram ganas de dar vida fosse ao que fosse, antes de matar, à nascença, esperanças, futuros, liberdades. 

A austeridade acabou. Mas a hipocrisia, a desonestidade, a maldade humana estão vivinhas da costa. Contra Costa e quem o apoiar.