01/07/16

foi um ar que lhes deu



Este senhor tem uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma.

Eu explico.

Há muito que a terra dos pastorinhos que, segundo parece, viram uma virgem (coisa que, estou em crer, seria fácil de lobrigar naqueles tempos de castos costumes), há muito que é conhecida pelo seu comércio de hereges. Até no terreiro do santuário, vi com estes dois que o fogo há-de queimar, se pede aos fiéis que preitem os seus defuntos ou paguem as suas promessas sob a forma de esmolas e não da queimada de velas que, pelos vistos, não dão tanto lucro e muito menos mecha para o sebo.

Soube hoje que os vendilhões do templo, espertalhões, com olho para o negócio, descobriram uma nova forma de extorquir dinheiro aos incautos créus. Agora, vende-se ar enlatado. De Fátima, dizem eles. Abençoado, asseveram.

Sempre pensei que fosse Passos o primeiro a cobrar-nos o ar que respiramos. Enganei-me. Entrem na terra universal do reino do deus dinheiro e comprem ... nada. Em troca de 3 euros, uns míseros 600 escudos na moeda antiga.

Valha-nos Nossa Senhora porque qualquer dia, tal é a lata, enlatam o cocó dos presbíteros para vender a obstipados e outros peregrinos por terras de blasfémia e de pecado sem perdão ou remissão.

Que falta nos faz Jesus e o seu chicote!


18/06/16

de costas para deus


D. Manuel, o Clemente, e outras figuras gradas da Igreja apostólica e romana, vieram a terreiro para vociferar contra Brandão, Costa e, valha-nos o Senhor, os malvados comunas e demais esquerdalhada que inspiraram a decisão de acabar com a gosma de certas escolas privadas com dinheiros públicos.

Trata-se, damas e cavalheiros, da mais rematada demonstração de ingratidão.

Sabe-se agora que três colégios católicos, todos de Fátima, foram poupados à sanha deste governo de hereges, apoiado por anti-Cristos.

Trata-se de um milagre perpetrado, tal como os crimes, por um governo que não teve a coragem de levar a coerência até às últimas consequências, com receio, talvez, das línguas viperinas de cónegos, cardeais, generais ao serviço de Deus nesta guerra pela cristandade e os seus trinta dinheiros.

Cauteloso, temente a Deus talvez, Costa não quis que as sedes do PS, no Norte e no Centro, em Braga ou Rio Maior, tivessem o mesmo destino dos centros de trabalho do PCP e do MDP nos idos de 75: o fogo posto, a purificação nas chamas do Inferno. Ainda não é Verão. Muito menos está quente.

17/06/16

chora, mariquinhas, chora

Dos jornais:
Manuais escolares grátis podem deixar 2000 sem emprego, avisa a Porto Editora.


Depois dos colégios privados, faltavam cá estes! O empório Porto Editora construiu-se à conta dos manuais escolares e da bolsa de cada pai e cada mãe deste país. Foi, e ainda é, um negócio da China com contornos, se não obscuros, pelo menos altamente reprováveis. Manuais que mudam todos os anos, por vezes para alterar uma linha ou uma fotografia. Manuais especulativamente caros. Manuais que não podem ser partilhados entre irmãos porque, de um ano para o outro, ou o programa mudou, ou o manual mudou uma vírgula ou a escola mudou de ideias e prefere um manual diferente do canhenho do ano anterior para a mesmíssima matéria depois de receber um delegado de propaganda médica, pelo menos assim parece embora a saúde das nossas carteiras se ressinta após cada uma dessas visitas. 

E agora, depois de viverem décadas à tripa-forra, têm o arrojo, o desplante, a desfaçatez, a suprema lata, a falta de vergonha de virem carpir mágoas com a costumeira lengalenga da gente que vai ser atirada para o desemprego, à falta de argumento mais decente e verdadeiro como seja a perda de bojudos lucros. Vamos ter outra guerra declarada contra o primeiro governo, em muitos e muitos anos, que teve a coragem de enfrentar interesses que não são os da maioria dos portugueses mas de pequenos grupúsculos desde sempre habituados a viver à sombra do Estado, dos seus dinheiros ou do seu conluio. 

Os manuais escolares fazem parte de um Ensino que, diz a Constituição, deve ser tendencialmente gratuito. Que seja um negócio lucrativo, ainda vá que não vá. Que seja uma forma de financiar impérios editoriais, com todas as consequências nefastas que os monopólios acarretam, e a perda de rigor e de qualidade editorial não é certamente uma sequela menor, é, como diz o fado, ideia que não cabe cá nas minhas. Vão dar de beber à dor, é o melhor. Já lá dizia a Mariquinhas que, se não estou a conspurcar a memória da louvaminheira, também detinha negócio espúrio, montado com mulheres de vida fácil e proxenetas de vida airada.

A chulice, meus amigos, é vício que se pega como sarna ou piolheira púbica. Vai-te embora, peçonha!


14/06/16

a assunção da canalhice

Assunção assume: o governo é comandado pela maralha bloquista. Assunção presume: Costa é social-fascista. Assunção enraivece e não esmorece, faz voz grossa, engrossa o coro das carpideiras, ai ricos tenham maneiras qu'isto assim não vai lá, não dá mecha pró sebo, escola pró mancebo, pilim pró director, função pró professor, tudo culpa da geringonça, dos amigos da onça, do Costa que se quer em posta, do soviete supremo que dirige a Nação, do Cunhal e do Brandão, querem mais Venezuelas, agora é que vão ser elas, é a bancarrota, a banca marota, o colapso da economia, o investimento em banho-Maria, a fuga de capitais, capitães e generais, os empresários é que não são otários, vão prá rua se for preciso até que os comunas tenham siso, cada um com a sua moca, um ou outro de bomba, eles vão estar à coca, a agitação vai ser de arromba, alguém há-de levar na tromba, virão doutores, comendadores, suinicultores, agricultores, engraxados e engraxadores, mandados e mandadores, a Alameda vai encher, o governo perecer, Costa cair e a direita a rir, rir a bom rir, fora com o socialista, o bolchevique, o esquerdalho, venha de lá gente chique, vão pró mangalho qu'isto aqui é nosso, muito nosso como o Brasil ou Angola, estou aqui que nem posso, a ficar estarola, não regulo da tola, tragam-me o véu, o solidéu, a estola, por esmola levem-me pra Rilhafoles, atirem-me ovos moles, toquem-me gaita de foles, façam o mal e a escaramuça, enfiem-lhes a carapuça, um balázio de bacamarte, eu seja Cristo, Cristas, Santo Inácio, Bonaparte. 

Mandem-me àquela parte.


16/05/16

o apogeu da barbárie

É em Yulin, na China. Muitos milhares de cães, tantos deles roubados aos donos, são desancados até à morte, pendurados por ganchos e vendidos para serem comidos no Festival que a cidade promove anualmente.

As imagens chocam mas, se fossem brandas, não teriam o efeito desejado: a nossa indignação, a nossa reacção, embora saibamos que as autoridades chinesas, com quem mantemos negócios e alimentamos riquezas espúrias, são cegos, surdos e mudos a qualquer protesto.

Se quiser assinar contra esta barbárie, pode fazê-lo aqui:
https://secure.avaaz.org/en/stop_the_puppy_slaughter_loc/?cYmKJbb




















07/04/16

o arrojo de um troglodita

São conhecidas as posições de Pedro Arroja. Não as sexuais, dessas deve só conhecer a de missionário que, desconfio, pratica com a parcimónia de um presbítero a quem a mãe não soube fabricar um pénis, mas as políticas e as sociais. Arroja é arrojado nas suas teorias e, a prová-lo, vem agora afirmar que mulheres nas direcções partidárias são um sinal de degenerescência. Culpa tem quem dá tempo de antena a esta excrescência.




angola na fossa

Angola pediu ajuda ao FMI. As ajudas dessa notável instituição liderada pela madame Lagarde, la vache qui ri, já se sabe no que redundam: os grandes de Angola, se se pode chamar grande a gente assim, de terrível pequenez humana, continuarão a viver à tripa-forra. Os sacrifícios, sabêmo-lo por experiência própria, serão impostos ao cidadão comum. No caso angolano, a um povo há tanto mártir. Por outras palavras, juntam-se ladrões a bandidos e o resultado não pode, não vai ser bom. 

Dirão alguns que se trata de um assunto interno de uma nação independente. O capital não tem pátria, tem párias. A indignação não tem fronteiras nem peias. Não posso estar um dia com o povo de Angola e, no outro, com os seus dirigentes. Ou uns ou outros.



http://www.photocarobonink.nl/

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11/03/16

resenha da festança do homem que se quis bragança

Fotografia de Alfredo Cunha, https://www.facebook.com/alfredo.cunha.1291?fref=ts
Ei-lo! Vinha a pé pela calçada, guiado pela sua boa estrela. Facto inédito e nunca visto desde os tempos em que o senhor presidente Teófilo, coitadinho que Deus já lá o tem, se deslocava de eléctrico do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Os jornalistas, embevecidos, à beira de um orgasmo, entre eles o Paulo, olá Paulo!, esqueceram-se dos seus deveres, de estabelecerem ligação com a redacção para dar conta da inovação. Ão. Ão. Miau Fru Fru. O Baldaia baldou-se aos seus deveres, e o caso não foi para menos, mas recompensou-nos mais tarde com prosa de um lirismo e fervor tão tocantes que ficará para a História como um exemplo perfeito de preito entre amigos de peito, o presidente eleito e o jornalista rarefeito. A festa durou até às tantas, primeiro no Parlamento engalanado a rosas, que os cravos costumam cair, cheinho de discursos, abarrotadinho de aplausos, prenhe de beija-mão. Olha o rei de Espanha, o latagão! Olha o Xico Balsemão, o finório! Olha o Passos, o finado! Olha a fina-flor do entulho a encher o bandulho em comezaina à maneira. Olha os restos mortais do Luís Vaz e do Gama. Olha o presbítero ataviado a oiro e roxo que tudo inflama. E atentem bem na condecoração ao antecessor, um primor, de liberdade pois então, quem a tem chama-lhe sua e o medalhado sempre foi muito cioso das suas coisinhas, boas acções, herdades herdadas à sorte, sem sorteio. E o cocktail, que dizer do cocktail? Centenas de lustrados convidados, palmadinhas nas costas, parabéns para aqui, felicidades para acolá, o Baldaia baldou-se outra vez, estava a escrever o artigo, as ceroulas ainda húmidas, a voz ainda embargada, os olhos entaramelados, o pensamento nele, no homem que se quis Bragança, com tomada de posse a lembrar coroação, o furioso apogeu de uma carreira de professor, comentador, político, nadador, salvador da Pátria. Mais à noitinha, o arraial municipalizado, Mariza a fazer de Beyonce contra os canhões marchar, marchar. Podia ter sido melhor, ai pois podia, ide a ele as criancinhas que não chegaram para encher a praça, o frio pô-lo transido, Cid divertido, Ralph encolhido, Abrunhosa esmaecido, não tivemos direito a foguetes nem a fogo de artifício mas não perdemos com a demora que de artifícios e de fogos fátuos não nos livramos nem que Cristo desça à Terra, muito menos de simpatia a rodos, de afectos a ilustrados e analfabetos, esquerdistas e direitistas, elitistas e liberais, porque um homem que sucede ao cavaco empertigado, ao pau carunchoso, é isto: só pode botar boa figura. Sob o manto diáfano da fantasia. Com o ceptro e a coroa de uma república entontecida. Sempre, sempre à beira do orgasmo. De um ataque de nervos. De apagada e vil tristeza.
Teófilo Braga, fotografia de Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa


05/03/16

a austeridade acabou!


Assim mesmo: a austeridade deu de frosques,  deu à sola, finou-se. Isto a crer nos apóstolos dessa mesma austeridade, os deputados do PSD e do CDS, a maralha da direitalha que agora vem pedir tudo e mais alguma coisa: mais uma ponte, uma estrada, um hospital, mais serviços de saúde, mais ajudas à agricultura, mais apoio às empresas, e escolas, e universidades, e cheta para isto, e fundos para aquilo, e subsídios para aqueloutro, e o diabo a quatro. Os mesmos que acusam o Orçamento do Estado de ser expansionista e o governo de gastador e perdulário - e ai credo que lá vem a bancarrota! -, são os que vêm também dizer que o governo é fuinha, uns unhas-de-fome os senhores ministros, que o dinheiro é pouco, que é preciso gastar, gastar muito, gastar tudo. E também são os mesmos, os apóstolos da austeridade e arautos da desgraça, que vêm agora perguntar aos novos membros do governo porque ainda não se fez, em 3 meses, o que Passos, e a sua trupe de valdevinos com futuro garantido no áureo mundo da especulação financeira, não fizeram, não quiseram fazer em quatro anos e nunca fariam durante os próximos quatro se Costa e Catarina e Jerónimo não tivessem decidido enveredar por este ménage à trois de que dou graças todos os dias: o que é feito, perguntam com as vozes inflamadas de indignação, o que é feito das novas construções, dos novos empregos, dos aumentos de salários e das descidas de impostos, dos bodos de uma boda em que querem ser padrinhos à espanhola, copular com a noiva e culpar o noivo do crime de violação. Durante quatro anos, nada criaram nem procriaram. Agora, querem as crianças já crescidas, eles que nunca tiveram ganas de dar vida fosse ao que fosse, antes de matar, à nascença, esperanças, futuros, liberdades. 

A austeridade acabou. Mas a hipocrisia, a desonestidade, a maldade humana estão vivinhas da costa. Contra Costa e quem o apoiar.

23/02/16

morrer no mar

Enquanto a Europa dorme ...

Marco de Angelis/http://www.cartoonmovement.com/

lisboa, a grandessíssima brejeirona

É um pequeno recanto, nem sequer largo se pode chamar, muito menos jardim. Fica à Rua de São Tomé e é ponto de encontro dos velhotes para a sueca, a jogatina, que para as de carne e osso já lhes falta vigor e vontade. Daí o nome do local, baptizado por alguns galfarros da zona e que, agora, já faz parte da toponímia oficial. Diz-se que os estrangeiros deliram com a designação. Quanto aos portugueses, alfacinhas ou não, haverá quem se choque. Não se pode agradar a todos, é o que é.


22/02/16

um beijo é só um beijo

Robert Doisneau
Alfred Eisenstaedt/Time & Life Pictures/Getty Image
Oliviero Toscani
Getty Images/Autor não identificado

tal como salazar, ainda julga governar


"Passos Coelho escolheu o tema governador do Banco de Portugal para mais um dos seus brilhantes momentos de primeiro-ministro no exílio. Depois do golpe de Estado que obrigou Passos Coelho a exilar-se em Massamá, instalando aí a sua residência oficial de onde prepara guerrilheiros como a Maria Luís ou o Montenegro para reconquistar o poder, que Bruxelas é um importante palco para o nosso artista.

Agora, sempre que se realiza uma cimeira europeia lá vai o nosso exilado mais o Zeca Mendonça dar ares de primeiro-ministro sem pasta, o espectáculo é tão divertido que o homem até devia convidar o D. Duarte e o rei do Carnaval da Mealhada para o acompanhar, assim teríamos uma importante delegação constituída por um primeiro-ministro sem governo, um rei tem trono e outro sem Carnaval."

Excerto do artigo O Naufrágio do Costa Discórdia, publicado em http://jumento.blogspot.pt/

alternativa aos calmantes

com as mãos sujas de sangue


Não é um caso. Nem dois. Nem mil. As empresas despedem como se fosse coisa corriqueira, legalmente permitida, socialmente admirada, um acto de limpeza nas suas fileiras. Chegamos aos quarentas? Aos cinquentas? Somos lixo. Lixo caro, regiamente pago desde o tempo das vacas gordas, um terço, um quarto do que ganham outros europeus mas, ainda assim, um luxo para tanto lixo que somos nós. Agora há alternativas no novo mercado de escravos, estágios grátis e quem é que não gosta da palavra grátis, de pechinchas, de um "good deal"? Entra um rapaz ou rapariga, ansiosos por ganhar currículo por uns generosos quinhentos ou seiscentos euros, tantas vezes nada até, e sai um velhadas com vícios, manhoso e ranhoso porque já aprendeu que, salvo raras e honrosas excepções, patrão à portuguesa é sinónimo de proxeneta, de filho da puta, de artolas endinheirado, de tosco merceeiro sem desprimor para o verdadeiro. O problema português não são os trabalhadores, são os gestores. Que se estão nas tintas para as suas empresas, que se estão a cagar para investir, modernizar, o que importa são as férias nas Caraíbas, o Mercedes, o BMW, o Audi, a ostentação, a vivenda à cunha de móveis escolhidos a dedo pelo melhor decorador, o decorador da moda e o resto que se foda. Passos foi isto que incentivou. Passos foi a isto que nos levou. À morte lenta. Temos quarenta. Cinquenta anos. Somos lixo. Lixemo-nos. E, de joelhos como Passos ante Merkel, agradeçamos. Mais vale um Passos a governar do que mil santinhos no altar. Quem defende Passos e a sua obra deveria ter o mesmo destino: a agonia de uma morte lenta, onde se definham esperanças, sonhos, a vida. Onde se come o pão que Passos amassou.