silly season


Anda tudo a banhos. Por Manta Rota antes da bancarrota. Pelos Açores, perdidos de amores por cifrões e embustes. Deixaram-nos em paz por uns tempos. As más notícias são menos, os roubos menores. Chamam-lhe silly season. Eu chamo-lhe curto intervalo balsâmico. Mas a caça ao pobre e ao desempregado voltará em breve, demasiado cedo, coincidindo com o regresso às escolas com menos professores e alunos ensardinhados em latas de aula. Portugal, a Europa, desaparecem do mapa e cresce, em seu lugar, um novo terceiro mundo. Os salários estão em saldo, em liquidação total, sob a liderança e inspiração da Alemanha do Quarto Reich. O Estado Social, criado após a queda do Terceiro Reich, é agora destruído porque outros valores mais altos se levantam, os do dinheiro, os da riqueza que, dizem, não somos nós que criamos, lastimáveis indigentes, refugo a abater, mas sim os especuladores, as bolsas, os muito ricos, 1% da população mundial, afirma quem sabe. E é esta gente quem mais ordena e nos diz a nós, párias da sua fortuna, comedores das suas migalhas, meros servidores do capital, como devemos viver, como devemos empobrecer, com o beneplácito, o apoio entusiasmado de governos mal eleitos, os Passos e Portas do nosso descontentamento. 

O futuro não pertence a nenhum Deus mas aos pequenos deuses da rapacidade. E nós, todos nós, seremos sacrificados no altar de Wall Street.

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