o farrobodó de paulo portas

Rubens, Coroação de Maria de Médici
A gente ainda ganha alguma coisa ao ler a imprensa pátria. Hoje, na Visão, relembraram-me a origem da palavra farrobodó. O 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, Joaquim Pedro de Quintela de seu augusto nome, era amigo da pândega - de putas e vinho verde, diríamos nós agora - e organizava luxuosas festanças no seu palácio às Laranjeiras. Esse mesmo, o palácio agora e em boa hora ocupado por Paulo Portas, vice primeiro-ministro, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, ex-ministro da Defesa, presidente do CDS, um submarino emergente numa terra de cegos onde quem tem olho é rei, nunca réu. Os alfacinhas, desde sempre dados ao escárnio sem consequências, e em alusão às festas de D. Farrobo, engendraram a expressão forrobodó, que ficou como sinónimo de foliada, folia, folguedo, farra, regabofe, galhofa. O D. Farrobo é que, coitado, não se aguentou nas canetas e, nessas festarolas abrilhantadas por reis e rainhas, cantores de ópera e a fina-flor da pelintrice lusitana, estoirou toda a fortuna da família.

Portas, que não se fica atrás de D. Farrobo em altivez, pergaminhos e propensão para a estróina, também não olha a gastos para satisfazer os seus caprichos. Para ocupar o palácio, teve que despejar o Arquivo Histórico do Ministério da Educação - que só lá estava há um ano fruto de elevado investimento -, tendo este regressado à 5 de Outubro de onde tinha saído por falta de condições.

Pois é, é isso mesmo, o farrobodó continua. Portas não olha a gastos quando se trata da Sua pessoa, do Seu prestígio, da Sua vaidadezinha de fidalgo gorado. Desde que, claro está, sejamos nós a pagar a conta. 

O que, de facto, vai acontecer. Pagaremos com gosto. Faz-nos falta um bacanal de quando em vez, quanto mais não seja de dinheiro.

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